Coaching para quem?

Imagine se viver fosse igual a jogar um videogame.

Em que fase você estaria? Quantos pontos teria acumulado? Quantas habilidades você já teria desenvolvido?

Aposto que as respostas dos “gamers” seriam as melhores; desfilariam autoconfiança e elevada autoestima. Também arrisco dizer que mesmo os que jogam ocasionalmente teriam relatos bastante otimistas.

E por que será?

Deixando de lado o atrativo irresistível de ter várias vidas, o videogame ou mesmo o jogo online mexe com desejos básicos do ser humano por competição, superação de desafios, a possibilidade de evolução rápida, a busca por recompensas tangíveis. Além disso, estes jogos eletrônicos usam de tarefas adaptativas, aquelas de grau de dificuldade que se ajustam ao desempenho da pessoa. Assim ficamos sempre instigados a avançar.

Não se enganem. A programação dos jogos leva todos estes aspectos psicológicos em conta para manter a motivação do jogador em alta.

Por isso, o uso de “gamification” é cada vez mais popular no ambiente corporativo, porque adquirir um conhecimento, desenvolver uma habilidade em um ambiente de jogo é muito mais prazeroso.

E, se conseguíssemos reproduzir esta dinâmica dos videogames/jogos online na vida real,

  • criando um ambiente de competição
  • calibrando desafios ao nível que incentive o desejo por superação
  • proporcionando oportunidades de feedbacks instantâneos
  • gerando recompensas tangíveis

com que velocidade aprenderíamos a tocar um instrumento musical? Em que nível estaria nossa performance na prática esportiva preferida? Quanto tempo levaríamos para desenvolver uma habilidade como a de falar em público?

Todos os exemplos testam nossa capacidade de aprender.

Na economia do conhecimento, esta competência é a verdadeira fonte de vantagem competitiva, ou se preferir, um “hedge” contra o avanço da Inteligência Artificial, que ameaça tornar aquelas atividades repetitivas ou que seguem um protocolo pré-definido exclusividade das máquinas.

Para quem ainda não ouviu falar, o Watson, plataforma tecnológica da IBM, orienta diagnósticos médicos com eficiência maior que a de diagnósticos humanos. E, ainda estamos por ver o grande impacto que a Inteligência Artificial terá no mundo do trabalho.

Talvez um exemplo pessoal possa ilustrar como se cria um ambiente pró-aprendizado ou de incentivo ao crescimento pessoal, usando os elementos dos jogos eletrônicos.

Numa manhã de sol saí pra correr na praia. Prefiro ir pela areia devido à proximidade do mar. Depois de poucos minutos de corrida, fui ultrapassado por alguém que corria na parte dura da areia, junto à água. Pensei por um instante em entrar em “modo competição”, mas voltei a me concentrar para encontrar o meu ritmo de corrida.

Já tendo percorrido metade do que costumo correr, reparo a mesma pessoa fazendo o percurso de volta. Senti que aquele seria um bom desafio. Apertei o ritmo para conseguir ultrapassar aquele corredor. Mas, o fiz de forma cadenciada. Não podia exagerar na dose, pois meu preparo físico não era o mesmo do “meu oponente”.

A cada vez que olhava pra frente, percebia que estava mais perto. Aquilo me incentivava a continuar correndo, apesar do cansaço se intensificar. Também percebi que nada estava me distraindo, nem mesmo os gritos de “alô mate”, com a sede começando a incomodar.

Sem me dar conta, ultrapassei o corredor que me deixou pra trás no início da corrida. Quem estava tentando ultrapassar quando entrei no “modo competição” era na verdade outra pessoa.

A minha meta inicial estava batida! Aquilo me deu mais incentivo para buscar então a superação. Passei o segundo corredor e me dei de prêmio um “senhor” mergulho no mar.

Tudo bem que não era a primeira vez que corria. Então não estava aprendendo algo do zero, mas a situação de um jogo com competição, desafio à superação, feedbacks instantâneos (a distância que estava do oponente) e uma recompensa concreta me fizeram ir além, mais longe do que imaginava.

É isso que o coaching de desenvolvimento faz na vida real, com a diferença de que a competição pode ser com você mesmo.

Coaching de liderança serve para quem então? Apenas para high potentials ou executivos?

Se você tem um objetivo e quer chegar lá mais rápido, não espere a empresa ou os outros decidirem por você. Seja protagonista de sua carreira!

Neste fim-de-semana em que a maioria dos brasileiros celebra a renovação, invista em transformação. Conecte-se à sua essência, à sua gema. É de lá que nasce nova vida, nova esperança.

Feliz Páscoa! Feliz Pessach!

Gema-TW – Transformamos potencial em resultados

(*) Gamification – consiste em usar técnicas, estratégias e o design de games em outros contextos que não sejam esses próprios games.