Conversa de Aprendizado

Uma ida recente ao consultório me rendeu uma valiosa lição sobre o que precisamos para evoluir. Não é nenhuma terapia moderna ou fórmula revolucionária. É uma prática que faz parte do nosso dia-a-dia há bastante tempo, ou melhor, desde que nos entendemos por gente.

Começa simples, mas os anos tratam de torná-lo complexo. Se o recebemos de braços abertos durante a infância, começamos a rejeitá-lo na adolescência. Na vida adulta, nos tornamos cada vez mais seletivo para aceitá-lo. Algumas pessoas preferem até eliminá-lo por completo.

Já adivinhou o que é? Continue lendo então.

Para manter nossas filhas entretidas enquanto conversávamos com a pediatra em uma dessas consultas de rotina, eu e minha esposa sugerimos que elas desenhassem. Por ter um talento natural para Artes, a mais velha entrou no consultório um minuto depois para mostrar o resultado de sua criação. Elogiamos prontamente como “bons pais” e também porque a conversa com a pediatra precisava seguir. Sessenta segundos mais tarde, lá vem ela novamente para mostrar um novo desenho. Dessa vez arrancou elogios nossos e também da doutora. Isso se repetiu por mais seis vezes.

Ao sair do consultório, descobrimos com a secretária que a sequência de desenhos era um livro que nossa filha tinha decidido criar com seu apoio, incentivo e recursos (papel, pilot, grampeador, etc).

O que eu e minha esposa fizemos para nossa filha nesse intervalo de 15 minutos de interrupções em nossa conversa com a pediatra?

FEEDBACK POSITIVO!

Seu entusiasmo foi tão grande com a própria criação que ela falou do “tal livro” durante todo o trajeto para casa. Sem perder tempo, antes de ir para cama, aos desenhos foram adicionados textos da própria autoria, com uma oportuna revisão da minha esposa.

Voilá, “How to be a good friend”! Seu primeiro livro nascia.

Qual terá sido a contribuição de mensagens positivas, palavras de incentivo durante o processo de criação do livro? Será que o resultado final teria sido alcançado tão rápido se nada tivesse sido dito? Teria o processo de criação ficado pelo meio do caminho?

Estas são boas perguntas para iniciar uma investigação sobre comportamento humano. Mas, o objetivo deste texto não é levantar hipóteses. É fazer uma constatação:

Feedback faz bem! Mas, o usamos mal!

Por que acreditamos nisso?

O princípio mais profundo da natureza humana é o desejo de ser apreciado” disse William James, considerado o pai da psicologia americana.

Isso vale portanto para crianças, adolescentes, adultos, idosos.

O Feedback, mesmo aquele que aponta oportunidades de melhoria, indica que aquela pessoa é importante para você. Por isso, você investe seu tempo para ajudá-la a evoluir.

A verdade é que o que deveria ser simples fica complexo já na definição. Uma conversa de aprendizado, decidimos chamá-la de Feedback. Se a descrição é boa, o termo em Inglês, nem tanto. Com o tempo, acumulou tamanha carga negativa. Que não nos deixe mentir a variação do termo usando uma curiosa combinação do Português com o Inglês (sua menção aqui não seria de bom tom).

Mas, por que usamos o feedback mal? Porque são muitos os erros cometidos na conversa que deveria ser de aprendizado. Tanto do lado do emissor, quanto do receptor.

O emissor usa opiniões e não fatos, tem informações incorretas, transforma fatos isolados em recorrentes, escolhe local inapropriado para conversa, permite interrupções, erra no timing, adota postura agressiva, não se prepara previamente…

O principal erro do receptor (para encurtar o tempo de leitura) é não escutar.

Inevitavelmente, a conversa de aprendizado se transforma em uma batalha de egos, em um conflito com papéis de algoz e vítima, uma tragédia grega que ninguém gosta de encenar. Infelizmente, na maioria das vezes, mais parece um teatro em que um fala e o outro finge escutar.

Não há aprendizagem! Há defesa explícita ou velada que vira discussão ou senão alimenta rancor, mágoas, sentimentos nada favoráveis para criatividade, engajamento, produtividade.

Para provar nosso ponto, “Kill the performance ratings” foi um dos artigos mais lidos da plataforma Strategy + Business em 2014. Isso porque quando se mistura feedback com remuneração, a conversa tende a ter menos ainda de aprendizado. É um número, ou melhor, um cifrão que se busca! Desenvolvimento fica em segundo plano.

Como resolver esse problema clássico de uma ferramenta poderosa que continua subutilizada? Com Tecnologia.

Se a Tecnologia pudesse acelerar sua capacidade de dar e receber feedback, quão mais atraente seria desenvolver essa habilidade?

Para você que lidera um time, que tal se pudesse ver, rever uma cena em que estivesse dando feedback em um membro de sua equipe? Ou melhor, se você pudesse simular sua atuação em diferentes cenários, por exemplo, o reconhecimento de um trabalho bem feito, uma reunião para comunicar um nível de performance abaixo das expectativas, e repetir quantas vezes fossem necessárias… que impacto teria sobre seu nível de confiança para ter futuras conversas de feedback?

Ou se você estivesse no papel de quem recebe o feedback, ajudaria saber que posturas adotar para transformar aquela conversa em mais uma oportunidade de aprendizado? Que comportamentos indicariam que você está na defensiva? Acredita que conseguiria evitá-los se os visse em cena?

Você estaria disposto(a) a experimentar essa tecnologia? Deixe seu comentário que entraremos em contato assim que a solução estiver pronta. Seu Feedback será muito valioso. Mas, prometemos que não iremos interrompê-lo(a) a cada sessenta segundos 😉

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